Música

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26 de outubro de 2011

"Tirem-me daqui!"

- soaria assim, o grito de socorro de meus caprichos.

Não me prendo por nada agora, estou livre e a sós comigo mesmo... ou talvez nem tanto. Oh! Faz tanto tempo, solidão, desde as épocas em que éramos somente eu e você... Trouxe alguém comigo desta vez, me perdoe o abuso, mas já não me bastariam os seus jogos, os meus delírios, pois de toda brincadeira e loucura brotou um amor que contra todas as possibilidades fez surgir quem se fizesse amada e me amasse em retorno.

Desempregado, desocupado, sem estágio, chefe e preocupações relevantes se não a de meus deveres acadêmicos e a administração das explosões criativas tão propícias no vazio, vivo como um rei, ainda que escravo de meus hábitos, na expectativa de mercês de um mundo que ojerizo, mas está aí para o meu agrado.

Este é o sonho boêmio! Viver das letras, como escritor e leitor, facetas minhas que sempre ressalto como as mais definidoras de meu caráter, apesar do sustento não vir propriamente da atividade e sim através dos benefícios da adolescência estendida, este berço resistente ao tempo que vela o sono dos vagabundos amáveis. Viver para ser - se tornou insuportável.

Ter uma mulher ao meu lado é lembrete contínuo de que sou um homem e o vazio não me cabe (ao menos que esteja aí para ser preenchido - mas dizer isso daria pano pra interpretações muito freudianas, então finja que esse parêntesis não aconteceu). Dizer que nada me prende, nada me impede, nada me obriga é displicentemente ocultar o artigo (o nada me prende, o nada me impede, o nada me obriga...).

- Quer saber? Eu vou embora daqui, preguiça, cansei dessa ladainha. Amanhã. Amanhã é um bom dia, hoje seria ótimo, mas amanhã está bom.

Acordar depois de tanta noite, mais do que fugir da fantasia boêmia para abraçar a fábula do espírito laborioso é lidar com o fardo de existir em toda a sua plenitude. Sem me afundar no Tédio, onde me salvo apenas na contemplação como corda salvadora para fora de mim mesmo; sem a distração e a fuga pelo trabalho, sendo aqui entendido em seu sentido estrito, o de puro esforço e esgotamento, intelectual ou físico. Pretendo, antes disso, crescer, estender-me sem fuga, ser e estar no mundo, marcá-lo de pegadas na humilde tarefa de restituir minha humanidade através do egoísmo solidário tão comum aos grandes escritores.

A solidão me impediu de ver: sou parte de algo maior - que alívio!

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